Nosso corpo faz parte da construção dos sintomas, do sofrimento psíquico sempre expresso também através do corpo, um corpo erógeno, sempre marcado pela presença de outro humano, desde o nascimento.
Do corpo pulsional, erógeno, nos chegam solicitações extremas, empuxos à satisfações chamadas pulsionais (e, não, instintuais, apenas), para as quais o Eu tem que encontrar uma saída, mediando entre as exigências pulsionais que nos vem desde nosso interior, e aquelas vindas do meio, das regras de convivência social, do que nos dita a sociedade e suas leis. Num mundo onde o que é propriamente socializante não mais vigora como tal, deixando cada um à deriva quanto as suas pulsões, o corpo erógeno perde seus limites.
Quando não podemos mais contar com a mediação vinda desde o Eu, em suas necessárias relações com o meio cultural em que vivemos, a única saída para as tensões pulsionais torna-se fazer o corpo sofrer, na tentativa de fazer parar o sofrimento que incide sobre o Eu.
O corpo erógeno, pulsional, necessita do meio para poder fazer sintomas, como apelos a uma nova forma de satisfação que não prejudique nem ao Eu nem ao meio; o corpo erógeno, pulsional necessita do outro para encontrar um caminho de satisfação que não prejudique nem ao Eu nem ao meio. Estamos condenados a lidar com nosso corpo e a produzir encontros que nos permitam mediar o que emerge do corpo como demanda imperiosa de satisfação, às expensas da vida e da sobrevivência psíquica do sujeito.
A pulsão só busca satisfação, a qualquer preço. O humano é, inevitavelmente, convocado a ser mediador de si mesmo. Do interior pulsional, ninguém pode fugir.
(Evelin Pestana, Casa Aberta - Página, Psicanálise, Artes, Educação).
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